Muitos pacientes que se recuperam da Covid-19 ficam preocupados com a saúde do seu coração, especialmente em relação ao desenvolvimento da miocardite.

A infecção por Coronavírus pode trazer diversas consequências para a saúde cardiovascular, comprometendo o fluxo de sangue ou as atividades do coração.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que todos os pacientes recuperados façam acompanhamento com um médico especializado, principalmente aqueles que já contavam com doenças preexistentes.

Continue lendo para saber mais sobre a miocardite, sua relação com Covid-19 e a importância de buscar um médico para iniciar o tratamento.

O que é a miocardite?

A miocardite é a doença causada pela inflamação de um dos músculos do coração, o miocárdio. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, essa patologia é mais prevalente no sexo masculino e durante a juventude.

Ela é uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 40 anos, inclusive crianças.

Não é possível estimar a sua incidência, uma vez que a doença tem apresentação clínica diversificada e, normalmente, não conta com realização da autópsia endomiocárdica.

O que causa a miocardite?

Pode ser causada por diferentes fatores, como:

  • medicamentos,
  • doenças autoimunes,
  • consumo de drogas ou álcool de forma excessiva,
  • infecções por fungos, protozoários, bactérias ou vírus.

Entre essas causas, as infecções são mais recorrentes, especialmente as virais. Os mais prevalentes são:

  • adenovírus,
  • enterovírus,
  • parvovírus-B19,
  • herpes simples,
  • vírus da hepatite C,
  • citomegalovírus,
  • HIV,
  • Epstein-Barr.

Em algumas regiões do Brasil, ainda há prevalência da miocardite causada pela Doença de Chagas.

Vale ressaltar que essa doença pode surgir tanto durante quanto após a infecção viral.

Como a Covid-19 está relacionada com a miocardite?

A Covid-19 é uma doença causada pelo vírus Sars-CoV-2, conhecido popularmente como Coronavírus.

De acordo com uma pesquisa realizada na China, cerca de 10% dos infectados teve como complicação cardiovascular a miocardite.

Ainda não existem estudos suficientes que apontam a real causa disso, mas acredita-se que essa inflamação seja uma resposta da infecção ao miocárdio ou uma resposta pela infecção sistêmica, o que desencadearia uma reação de hipersensibilidade ou vasculite.

Como é feito o tratamento da doença?

O primeiro passo para iniciar qualquer tratamento é o diagnóstico. No caso da miocardite, isso pode ser feito por meio de um exame de sangue, verificando se há altos níveis de troponina, uma proteína que é encontrada nas fibras musculares do coração.

A partir dessa suspeita, o paciente deve realizar outras análises clínicas para fazer a confirmação, como:

  • eletrocardiograma,
  • ecocardiograma,
  • ressonância magnética,
  • biópsia do músculo cardíaco.

Com a confirmação, o médico irá analisar o grau da inflamação e se é necessário algum tipo de interferência. Normalmente, esse problema se resolve espontaneamente, levando até 4 semanas para tal.

Mas, também existem casos em que a inflamação se agrava e traz complicações, como a falência da bomba cardíaca e o aparecimento de arritmias.

Também há a possibilidade de desenvolver insuficiência cardíaca, tanto de forma progressiva quanto fulminante. Nesse último, o paciente entra em um estado de choque circulatório, o que exige atendimento rápido ou pode levá-lo a óbito.

Ou seja, sempre que houver o diagnóstico de miocardite, é importante fazer o acompanhamento médico, para que seja definida a abordagem mais apropriada a cada caso, evitando complicações.
Se você ainda tiver alguma dúvida sobre o tema ou quiser realizar exames para garantir a sua saúde, não deixe de entrar em contato comigo.