O prolapso de válvula mitral é uma doença que ainda levanta muitas dúvidas nos seus portadores, principalmente em relação a sua causa e diagnóstico.

Para que você entenda mais sobre o assunto, vou tentar explicar de uma forma simples, sem utilizar muitos termos técnicos.

Continue lendo e saiba mais sobre o prolapso da válvula mitral.

Entendendo o coração

Para que você entenda o que é o prolapso da válvula mitral, é importante saber mais sobre o coração, órgão que faz o bombeamento do sangue para todo o nosso corpo.

O coração é formado por quatro cavidades e quatro valvas que fazem o direcionamento do sangue, garantindo o fluxo contínuo.

A válvula mitral é responsável por fazer a separação das cavidades esquerdas do coração, separando assim, o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo. O fechamento e abertura adequada dos folhetos da válvula  impede que haja o refluxo de sangue.

Já sabendo mais sobre o funcionamento do coração, fica mais fácil explicar o prolapso da válvula mitral.

O que é prolapso da válvula mitral?

O prolapso da válvula mitral (PVM), consiste no deslocamento acentuado de um ou dos dois folhetos da valva para dentro do átrio esquerdo, gerando o refluxo de sangue. É possível nascer com esse problema ou ele ir se desenvolvendo ao longo da vida.

Na década de 70 e 80 essa era uma das cardiopatias mais frequentes, afetando, principalmente, mulheres jovens. Hoje em dia, já sabemos que não há predileção por gênero e que ela não é tão comum quanto parecia.

O diagnóstico mais rígido, através dos exames de imagem, fez com que diminuíssem a quantidade de casos diagnosticados dessa doença. Atualmente, pesquisas na área estimam que cerca de 5% a 7% da população tenham essa condição.

O prolapso é uma anormalidade valvar multifatorial que pode ser causada por anormalidades do tecido que compõe os folhetos da valva, tornando-os mais espessos e disformes e  alterações relacionadas a geometria entre o ventrículo esquerdo e a válvula mitral.

Evolução da doença

Do ponto de vista do desenvolvimento de complicações, quem tem mais chance de evoluir com progressão da doença é o paciente com espessamento importante da valva mitral e prolapso acentuado.

Indivíduos com prolapso, mas com folhetos anatomicamente normais e sem refluxo, correm riscos substancialmente menores de complicações.

As complicações mais comuns e recorrentes são:

  • diferentes graus de insuficiência mitral,
  • ruptura de cordoalha,
  • endocardite infecciosa,
  • arritmias,
  • morte súbita
  • eventos cerebrovasculares.

Como é feito o diagnóstico do prolapso da válvula mitral?

O diagnóstico geralmente é feito através de uma história clínica e exame físico alterados, com presença de um sopro cardíaco típico, que pode estar presente tanto nos indivíduos sintomáticos, como naqueles sem sintomas.

O diagnóstico confirmatório ocorre por meio do ecocardiograma (ultrassom do coração) solicitado na investigação do caso e mais raramente em exames de rotina. Esse exame de imagem consegue mostrar diferentes informações que são essenciais para o tratamento, como:

  • grau do refluxo do sangue (insuficiência mitral),
  • função cardíaca,
  • outras complicações.

Quais são os sintomas?

A maioria dos pacientes não apresentam sintomas. Quando sintomáticos, as principais manifestações são:

  • cansaço ou fadiga,
  • dor no peito,
  • falta de ar,
  • palpitações.

Como lidar com o prolapso da válvula mitral?

O diagnóstico dessa patologia, muitas vezes, ocorre em consultas de rotina, por isso, o ideal é que você tenha um especialista de confiança e faça consultas regulares.

Através de uma consulta médica e exames de imagem é possível identificar a gravidade do prolapso valvar e indicar o melhor tratamento para cada caso. Naqueles casos em indivíduos sintomáticos com prolapso e insuficiência importantes, de uma forma geral, o tratamento é cirúrgico, com troca da valva mitral.

É importante lembrar que a depender do grau de insuficiência mitral (refluxo), alguns pacientes precisam fazer uso de antibióticos antes de determinados procedimentos, como: extração dentária, procedimentos que envolvam trato gastrointestinal e genitourinário, a fim de evitar desenvolver a endocardite, infecção grave que acomete os tecidos cardíacos.

Vale ressaltar que a maioria dos pacientes consegue ter uma vida normal, sem maiores complicações  e fazer seguimento com o cardiologista de forma regular, sem necessidade de procedimentos.

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